sábado, 11 de julho de 2009

Vida animal

Hoje vi o meu primeiro tubarão debaixo de água! Tudo bem que era um tubarão-gata e que estava a dormir, mas ainda assim uma pessoa sente uma ligeira trepidação por estar tão perto de um tubarão - é o que dá tanto condicionamento com "Os Tubarões - máquinas assassinas!!!" (ao som da música do Jaws, claro está). Eu que andava a dizer para os meus botões que não me podia ir embora sem ver um tubarão, e pronto, o tubarão apareceu. Giro, giro, era agora ver um tubarão-touro. Com esse já haveria mais razão para ter atenção redobrada.

Anteontem no mergulho, estávamos nós (um cliente ultraconsumidor de ar e eu - conclusão, mergulho mais curto para mim) a fazer o patamar de segurança aos 5 m, quando ele se redimiu completamente ao chamar-me a atenção para a tartaruga que ia a passar. Um macho de bom tamanho que nos veio deitar um olho desconfiado e depois seguiu viagem.


Ah, mas o melhor deixei para o fim. No domingo passado fui acompanhar um dos Rangers do SOS Tartarugas e, para além de uma série de rastos de tartarugas que tinham ido tentar pôr ou tinham mesmo posto ovos e de termos visto uma tartaruga ao de longe um bocado indecisa se ia ou não ia sair da água (e não saiu- estava lua cheia, havia demasiada luz), vimos uma tartaruga a pôr ovos! Estive mesmo ao pé dela, enquanto a dita estava no transe costumeiro, e toquei-lhe na carapaça e nas barbatanas. Depois, quando se começou a dirigior ao mar, a pobre da tartaruga ia meter-se em sarilhos - ia para o meio das rochas - então o João (o Ranger), o Mark (outro acompanhante da caminhada) e eu pegámos na tartaruga para a meter em bom caminho. Pelo que o João avaliou, pesava mais de 100 kg.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Relax

A Pastelaria Relax que, de forma algo discordante, se auto-intitula "O Rei dos pequenos-almoços". Os pequenos-almoços são bons, lá isso são.
Tem tudo um aspecto muito asseadinho, bem cuidadinho e a tem tudo um aspecto apetitoso... Paragem obrigatória para quem vem ao Sal.


Logo por azar no dia em que levei a máquina a Relax estava fechada, já não me lembro se para dia de folga ou se para as férias.



Mas, ontem, reabriu e já deu para tirar uma fotografia do interior.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

O mergulho, de facto, é uma coisa curiosa.

Tirei o curso por ser uma coisa que poderia vir a ser útil na minha "carreira como Bióloga" (ooo!! coisa pomposa), mas confesso que quando tirei o curso não me apaixonei perdidamente pela arte de mergulhar. Nos primeiros mergulhos que fiz, ainda durante o curso e alguns ainda em Cabo Verde, a preocupação com todo o material e parafernália envolvente ("está tudo bem apertado? Tenho a máscara e o regulador bem postos? A flutuabilidade está boa? Não, que estou muito para cima! Agora estou demasiado em baixo!") enchia demasiado a minha cabecinha para deixar-me gozar o mergulho devidamente. Geralmente ao fim de vinte minutos já estava a pensar com os meus botões que "pronto e tal, isto é giro, mas já está tudo visto". Isto quando o mergulho ainda ia a meio.

Entretanto, à medida que os mergulhos se foram acumulando, as preocupações com a logística diminuíram e comecei a gozar verdadeiramente os mergulhos. É uma sensação muito gira estar num meio que, na realidade, é selvagem. Muitas vezes sinto que estou a ver a vida a acontecer - sim, é muito do género "O Círculo da Vida". Ainda não comecei a ouvir a música na minha cabeça quando estou debaixo de água, mas às tantas, um dia destes acontece (para quem não percebeu a referência, está na altura de rever "O Rei Leão").
Nos últimos dias muitas espécies têm estado em activas actividades reprodutivas, o que acentua mais essa sensação. Isso e ver, volta e meia, um peixe que perdeu um bocado ou traz umas mazelas significativas, mas que sobreviveu para "contar" a história. Uma cena inesquecível aconteceu no outro dia, quando vi de repente um peixe-lagarto (Synodus saurus) com qualquer coisa grande a sair-lhe da boca. A coisa grande era outro peixe (provavelmente um Scorpaena maderensis), só com a cabeça de fora e ainda a respirar. E ali estavam, um e outro, quietinhos a ver quem é que vencia. Uma vez que o peixe comido tem espinhos dorsais venenosos, que deviam estar enterraditos no esófago do outro, até é capaz de se ter safado.

O mergulho também permite ter sensações que nem nunca me tinham passado pela cabeça. Por exemplo, eu sei como se sente uma bandeira desfraldada ao vento(!). Pois é, fazer uma paragem de segurança aos 5 m com uma corrente tão forte que pode arrancar-nos a máscara da cara, não é pera-doce. Estamos ali, agarradinhos ao cabo com as duas mãos e todos esticadinhos "ao vento".
Ou outra, nunca vi ninguém com sangue azul, mas com sangue verde já posso dizer que sim. Houve um pequeno acidente envolvendo uma garoupa-pintada em fuga, um dedo e um bistúri, que resultou num dos elementos da equipa científica a quase ficar sem um naco do dito dedo. Isto aos 22 m de profundidade, mais coisa menos coisa. Depois foi ver sangue verde a jorrar enquanto subiamos pelo cabo acima. O mais estranho foi ver que o sangue continuava verde mesmo aos 5 metros de profundidade. O fenómeno da luz e das cores debaixo de água é de facto curioso. Por exemplo, a dita garoupa-pintada, tem uma coloração com tons de vermelho, laranja, amarelo, entre outras tantas cores. No entanto, aos tais 22 m de profundidade continua a ser perceptível a cor avermelhada da garoupa. Pelos vistos os pigmentos dos peixes são "mais melhor bons". Maravilhas da Natureza.




Depois há mais experiências do tipo "círculo da vida". Num dos últimos mergulhos que fiz no Kwarcit, um dos navios afundados pelo Manta para criar recifes artificiais, lá para o fim do mergulho começou uma corrente bastante forte. Eu andava nas minhas voltinhas a ver que espécies de peixes via e nessa altura estava já perto do cabo para, assim que chegasse ao fim o tempo de mergulho, começar a subir. Nisto, apareceu um peixe-balão, que foi juntar-se às largas dezenas de peixes que já andavam por ali na zona do convés, todos alinhados com a corrente. Pensei que fosse um Chilomycterus reticulatus, mas como era um indivíduo mais pequeno que o costume, poderia até ser de outra espécie. Então, comecei eu também a alinhar-me com a corrente tal como os outros peixes à minha volta e, devagarinho, comecei a aproximar-me do peixe-balão, para conseguir ver melhor as colorações. Não sei se foi por estar curioso, se por causa da corrente, o que é certo é que deixou que me aproximasse bastante - fiquei a um palmo dele - e ficámos ali lado a lado durante um bocado. Nesse momento senti que também eu fazia parte daquele meio, também eu era um peixe qualquer esquisito. Foi literalmente uma sensação de outro mundo.

Extremos

Ontem até podiamos estar num filme passado no deserto, tal era a ventania e a quantidade de poeira no ar. Hoje, praticamente nem bule o vento e está um abafanço daqueles. Pela primeira vez vi gente aqui na piscina do hotel dentro d'água porque cá fora está tão quente que só se está bem de molho. Acho que hoje não passo sem uma banhoca no mar, vamos ver se o calor se aguenta até às 18 h.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

~~~~~~ Calor ~~~~~~

Bem, o calor chegou para ficar. Uuuuhhuuu!! Há uma semana que já estamos com uma canícula jeitosa. Provavelmente não se compara aos trinta e tal graus (Celsius, não convevém esquecer a unidade, é muito importante, diz que sim) que estão a ter por terras de Portugal, mas está bem quentinho aqui e o sol é muito forte! Temos provas disso todos os dias, quando vemos as lagostas humanas que por aí passam com ar muito feliz e descontraído. Nô Stress!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Volta à ilha III

Tive mais uma visita aqui no Sal. A Mariana ficou lá em casa durante uma semana a gozar aquele maravilhosos aglomerado de feriados que tiveram aí no Continente. Aproveitei e dei mais uma volta à ilha. O que vale é que de todas as vezes acabou por haver diferenças nos percursos (pelo menos em parte).



Desta vez foi divertido porque quem ia a conduzir era eu. hehehe Não matei ninguém e chegamos são e salvas com o carro alugado mais ou menos inteiro :P Estes percursos por caminhos e trilhos do Sal não são fáceis e uma coisa é certa: vamos sair da viagem bem sacudidos. O que nos vale é a obrigatória visita às salinas para o banhinho relaxante e rejuvenescedor. Lá relaxante é, quanto ao rejuvenescedor ainda estou para ver ;)

Para não quebrar a tradição, esqueci-me da minha máquina fotográfica, mas a Mariana tirou muitas fotografias. Quando voltar, vou ter que andar a pedir as fotografias aos meus visitantes e depois ponho um "best of" aqui no blogue.

De resto não há muitas novidades. Vamos tentar ir a Santiago para a semana, depois do barco (o Manta I) estar na água.

domingo, 31 de maio de 2009

30.05.2009

Trabalho não tem havido muito; e apesar disso não tenho tido hipótese de vir contar novidades ao blog. Porquê? Bem, porque a internet nesta terra também não tem querido trabalhar. O mal é geral...

Ora bem, ao que interessa.

Desde a última entrada tive a visita dos meus pais e da minha irmã. Foi muito bom ter a visita da família, como não podia deixar de ser. Deu para dar outra vez a volta à ilha, fui jantar fora todos os dias, um luxo. Só miminhos. Quanto a fotografias, como vem sendo hábito, esqueci-me da minha máquina, por isso está tudo em máquinas alheias. Só quando voltar a Portugal é que vou ver fotografias dos passeios.

Conclusão da visita da família - ainda fiquei com mais saudades de casa. Na formação do Inov mostraram-nos várias vezes o gráfico típico do moral dos contacteantes, em que havia uma depressão grande no segundo mês. A minha "grande depressão" veio no 4º mês, um bocadinho mais tarde. Mas pronto, já passou.

Depois da visita da famelga, estivemos, eu e o Augusto, a tomar conta do centro durante 2 semanas. Duas semanas de calmaria, tipo aquelas que se vê nos filmes, quando um barco está em águas onde não sopra a mais pequena brisa. Volta e meia lá vinha uma golfada de ar fresco (algum mergulhador desgarrado) e aí estávamos a pôr o pessoal a andar. Vá lá que sem o patrão não houve grandes revoltas do proletariado. Felizmente!

Pronto, agora está o patrão de volta com a equipa científica, por isso devo voltar aos mergulhos amanhã (façam figas!!!!).

Ficam duas fotografias de curiosidades salenses.

Natureza morta


Adivinha

O primeiro a dizer o que está escrito neste cartaz, correctamente, ganha uma garrafinha de pontche. Partida, largada, fugida!

Adenda 31.05.2009:
Já fui ao mar!!! yay!!!