Ontem apanhei (espero eu!) o susto do ano. Fui mergulhar ao Sargo, o tal barco que está a 40 m de profundidade. Como íamos com clientes, eu estava a acompanhar o Digalan e uma cliente. Quando chegou a altura de subir, o Digalan mandou-me ir primeiro enquanto voltava para trás para ir buscar a Maria. Ora, combina-se má visibilidade e desorientação da Rute, e sigo para o cabo errado (um cabo de amarração, que só por travadinha mental podia ser confundido) e quando dou pelo engano já não vejo ninguém e também já não sei onde está o cabo certo. Estou a cerca de 30 metros, já com o computador a entrar em patamar de descompressão (ou seja, teria de ficar uma série de minutos a uns poucos metros de superfície, à espera de puder subir o resto) e decidi subir ali mesmo e não perder mais tempo. Isto tudo, é claro, enquanto tremia que nem varas verdes e tentava não perder a calma e a cabeça. Lá comecei a subida, tentando não me afastar muito de cima do barco naufragado, e à medida que avançava fui-me acalmando. Estava tudo a correr bem. Devo dizer que ter companhia dos (muito falados) ctenóforos foi reconfortante e uma distração. À medida que ia chegando à superfície aquilo em que pensava era: espero bem que o barco dê comigo e bendita hora em que o Vasco (o meu instrutor de mergulho) me ofereceu o dive alert (uma espécie de buzina ligada ao colete, que é ouvida até bastante longe). Lá cheguei à superfície e barco nem vê-lo. Via terra, o que, pensei eu, na pior das hipóteses, me dá uma direcção para onde nadar. Comecei a buzinar, uma, duas, três vezes. Acho que à quarta vi o barco, com o pessoal a acenar. E pronto, recolheram-me sã e salva. Eles é que ainda apanharam o susto maior, porque eu sabia que estava bem (mais ou menos) mas a eles passou-lhes tudo pela cabeça. O Dudu (o skipper), tinha visto umas bolhas de ar a passar a certa altura, por isso eles já sabiam que eu estava a subir, mas antes disso o Digalan ainda foi à minha procura duas vezes lá abaixo, enquanto o Góis trazia os clientes para cima. Felizmente acabou tudo em bem.
Como a vida continua, seguimos para o local de mergulho seguinte, no Farol Baixo, e pronto, foi assim. Provavelmente por a visibilidade estar má, havia mais variedade de peixe tanto no Sargo como no Farol Baixo, o que resultou num mergulho muito interessante, para recuperar o fôlego, por assim dizer.
Hoje fiquei pelo centro a tratar de coisas que se acumularam. Um dia bastante mais calminho, portanto.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
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Bem, as coisas estão bem emocionantes por aí. Mas correu tudo bem.
ResponderEliminarJá fizeste planos para o Carnaval? Como é a festa em Cabo Verde?
Ainda não há planos para o Carnaval. Nô stress... No dia logo se vê. Isto deve andar tudo pela rua na folia, por isso festa é onde o pessoal quiser ;) Não sei, ainda não vi anúncio de festa nenhuma, cheira-me que aqui em Santa Maria (terra de turistas) a coisa funciona de maneira ligeiramente diferente.
ResponderEliminarAiai prima cuidado com as confianças e as desorientações... não te keremos numa ilha deserta :P lol A inveja é tanta que já decidimos (eu e a Martinha) uma visitinha para o ínicio de Abril :D Prepara-te prima
ResponderEliminarBjis
Oh!! Óptimo!
ResponderEliminarCá vos espero :D
Ai ai... tb me perdi uma vez, e foi exactamente num dia de muita turbidez, são dias bons para ficarmos sem Norte!
ResponderEliminarDistraí-me uns segundos a olhar para umas alguinhas pequenas e qdo me virei, puf, já não vi ninguém.
E a subida? Não ia subir por cabo, e estava tanta turbidez que não via nada em baixo, nem sem cima, nem para os lados, só água verde-acastanhada e as minhas bolhas de ar. Só percebia que estava a subir pelo manómetro, que piscava a avisar-me que estava a subir depressa demais. Toca a mergulhar de cabeça e a esvaziar um bocado o colete para travar a aceleração (uma lição que já tinha aprendido antes, qdo uma vez subi disparada desde uns 22metros, lol). Curiosamente não fiquei nervosa - ok, qdo percebi que estava sozinha lá em baixo, larguei uma exclamação pelo regulador, mas depois pensei: "ah, é só subir, que o barco deve estar lá em cima!", se não estivesse, era capaz de me enervar um bocadinho. Vá lá que o mergulho era de dia e não era tão profundo como o teu, Rute. Fiz só um patamar aos 3metros, uns (quase) 5 mim, lol, e pronto, o barco estava lá em cima, um bocado afastado, mas suficientemente perto para me verem.
É assim que se vai aprendendo e ganhando experiência, né? Por isso, um manómetro com alarme, um apito (ou uma buzina como a tua, Rute), uma bússola (se possível), e uma faca (para evitar ficar emaranhado em redes de pesca, o que por acaso, tb me esteve para acontecer no último mergulho que fiz...lol) são utensílios importantes a ter connosco.
Fico à espera das tuas próximas aventuras, Rute! ;)