quinta-feira, 12 de março de 2009

Comida

A questão da alimentação aqui em Cabo Verde é sempre uma questão premente, seja porque não há, ou porque o que há não é grande coisa. Hoje, por exemplo, o meu colega de casa foi até Espargos (a "cidade" mais importante do Sal) a trabalho e aproveitou para passar na padaria (que tem melhor pão que a de Santa Maria). Bateu com o nariz na porta. Não havia farinha, não havia pão: "Já vem a caminho, a farinha, para a semana já há" foi a resposta.
As verduras não são coisa que abundem grandemente nas ilhas em geral, mas aqui no Sal - a ilha que não tem água doce, quanto mais potável - naturalmente que só quando os vegetais acabam de chegar é que estão razoavelmente apresentáveis. À medida que o stock se vai esgotando, vai tudo ficando muito escolhido.
Escolhidos são também os outros produtos alimentares, dos quais não há propriamente muita variedade. Aqui, a cozinha é feita quase sempre à base de enlatados. Já os congelados também são uma categoria interessante. Já existem alguns sítios que vendem os congelados como os encontraríamos em qualquer parte da Europa, mas na maior parte dos casos, é ver carne e outras coisas que tais atiradas para dentro de uma arca congeladora sem embalagens, ou se for um sítio com mais cuidado, embaladas em saquinhos de plástico. Ou ver vender macedónia de legumes ao peso. Isso, aquelas embalagens tipo Iglo que encontram em qualquer supermercado aí em Portugal, abertas para tirar 50 g, 100 g...
Curioso, também, é o fenómeno das lojas gourmet já ter chegado ao Sal... Cortesia dos nossos amigos italianos, na maior parte dos casos, não têm muita variedade, mas lá vão oferecendo algumas coisas que não se encontram nos mini-mercados.
Por outro lado, quando o pessoal se abastece no continente (como o nosso mestre do Manta I se refere a Portugal) dá para fazer algumas coisas interessantes. No outro dia, quando cá estava a equipa científica, fez-se sushi em casa do Nuno e da Patrícia. Quem houvera de dizer que eu ia fazer sushi pela primeira vez no Sal! É cómico. Ficou bastante bom, devo dizer.
Ontem, acompanhei na saída de pesca um grupo de polacos, que não queria ir-se embora sem antes provar algum do peixe que tinham pescado. Como ainda não há forma de o cozinhas quando chegamos a terra (está a trabalhar-se nisso) optou-se pelo sashimi (vulgo: tiras de peixe cru). Eu também provei e não era nada mau o salmonete versão sashimi. O problema? Foi provavelmente a causa de mais uma (a segunda) gastroenterite desde que cheguei.

E assim estamos em Dja d'Sal

P.S.: Fotografia, tirada a caminho do trabalho, do "lago" resultado de drenagens do solo onde estão a construir um hotel. A água é salgada e não para abastecimento do hotel, como já me perguntaram uma vez.

4 comentários:

  1. E não foste abanar uma bandeirinha ao Socrates? Certamente que a sua comitiva teria alimentos frescos para comeres?

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  2. LOL

    Não o Socrático não passou por cá.

    Se houvesse cá embaixada ou consulado, eu ter-me-ia inscrito e aí, se calhar, até era convidada para as festanças. Mas não calhou assim... :P

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  3. como sao as pessoas de cabo verde? como encaram a vida?
    tens aprendido mais de alguma língua?
    conduzes o barco de vez em qdo?
    sentes alguma mudança em ti por estares a viver num local tão diferente?

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  4. As pessoas de Cabo Verde são simpaticas e relaxadas de um modo geral... Quanto à visão cínica (mais ainda assim realista) fica para contar em pessoa, porque este não o espeço próprio :P

    De línguas, vai-se acostumando o ouvido ao crioulo (devar, devagarinho), vai-se treinando o francês e arranhando o italiano e o espanhol.

    Ainda não conduzi o barco, não. Acho que vou esperar por um dia sem clientes.

    Quanto a mudanças em mim... Que eu note, não...

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